A questão sobre quantas pessoas viveram até hoje no planeta e como se compara o número de vivos ao dos que já morreram tem sido alvo de muita especulação, levando a debate uma lenda urbana recorrente na sociedade: será que atualmente existem mais pessoas vivas do que o total de pessoas que já morreram ao longo da história?

Contrariando esta crença popular, especialistas em demografia analisaram o tema de forma científica e revelam que os números reais distam muito das ideias feitas. Para compreender a proporção entre as populações das diferentes épocas, é necessário recuar até antes do século XIX, quando começaram a ser registadas estatísticas mais fiáveis.

Durante a Idade Média e períodos anteriores, a esperança média de vida era bastante reduzida, sobretudo devido à ausência de avanços médicos significativos, o que obrigava a taxas de natalidade elevadas. Dados de especialistas indicam que na Idade do Ferro, em regiões como França, a esperança média de vida rondava apenas os 10 a 12 anos.

Segundo um estudo detalhado de modelação populacional conduzido por Toshiko Kaneda e Carl Haub, do Population Reference Bureau, terão nascido cerca de 117 mil milhões de pessoas ao longo da história da humanidade. Atualmente vivem cerca de 8 mil milhões de pessoas, o que representa uma fração muito pequena deste número total.

Os que já morreram são, aproximadamente, 14 vezes mais do que os que estão atualmente vivos. Apesar de atravessarmos o período mais populoso de sempre, a supremacia numérica dos que já faleceram mantém-se indiscutível.